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A REJEIÇÃO DA MÚSICA SACRA AFRO-BRASILEIRA PELOS ALUNOS DE CANTO DO CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE MÚSICA WALKÍRIA LIMA, EM MACAPÁ/AP

Vera Lúcia Vigário da Costa[1]
 
Orientador: Diógenes José Gusmão Coutinho[2]


[1] Discente, Christian Business School. E-mail: veravigario@hotmail.com
[2] Ph.D. Doutor em Biologia Celular e Molecular, Mestre em Ciências Biológicas, Biólogo, Professor do Ensino Superior e professor orientador da Christian Business School-CBS. E-mail: diogenesgusmao@gmail.com

RESUMO: Esse artigo buscou analisar os motivos que levam os alunos de canto do Centro de Educação Profissional de Música Walkíria Lima (CEPMWL), em Macapá/AP, a rejeitar a música sacra afro-brasileira, discutindo as implicações dessa recusa para a formação profissional em música. Para isso, realizou-se uma pesquisa de campo de abordagem quali-quantitativa, com aplicação de questionário estruturado aos alunos dos corais Oscar Santos e Lírico Altino Pimenta e entrevista semiestruturada com a coordenação da instituição, além de pesquisa documental no Projeto Político Pedagógico do Centro. Os dados evidenciaram que a rejeição está fortemente associada à pertença religiosa: 66% dos participantes declararam-se evangélicos e 68% apontaram a crença religiosa como principal motivo da recusa, enquanto 9% atribuíram o comportamento à influência familiar e 23% a outros motivos. Em contrapartida, 80% dos respondentes reconheceram que as aulas de canto podem funcionar como instrumento de socialização e de interação com outras culturas, o que revela uma contradição entre o discurso da abertura cultural e a prática da recusa. Conclui-se que a música sacra afro-brasileira permanece invisibilizada no ensino profissionalizante de música, não por ausência de valor estético, mas por barreiras de ordem religiosa e cultural. Recomenda-se, dessa forma, o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que abordem a música afro-brasileira em perspectiva histórica e antropológica, o fortalecimento da formação docente para a educação das relações étnico-raciais e a revisão curricular do Centro, de modo a assegurar uma formação musical mais qualificada, plural e integral.

Palavras-chave: Música sacra afro-brasileira. Educação profissional musical. Cultura.

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