Narda Telles [1]
[1] Discente, CBS – Christian Business School.
RESUMO: Este artigo analisa a formação do julgamento ético diante do uso da inteligência artificial na educação. A investigação parte do ensaio de Jatobá (1992) sobre Dédalo e o labirinto, reconhecido como interlocução inicial para a aproximação entre mito, técnica e ética, e desloca essa leitura para uma questão educacional: como aprender a julgar quando respostas e decisões passam a ser mediadas por sistemas cujo funcionamento e cujas consequências não dominamos inteiramente? Trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e interpretativa, desenvolvida como ensaio teórico. O percurso articula a prudência em Aristóteles (2014), o pensamento e a responsabilidade em Arendt (2004), o debate de Pinheiro e Valente (2024) e as orientações da UNESCO (2021) para a ética da inteligência artificial. A análise identifica no mito cinco núcleos: a potência técnica de Dédalo, o poder de Minos, a opacidade do labirinto, a desmedida de Ícaro e a orientação oferecida pelo fio de Ariadne. Os resultados indicam que princípios e normas são necessários, porém insuficientes quando não se forma a capacidade de examinar circunstâncias, finalidades e consequências. Conclui-se que educar eticamente para a inteligência artificial exige preservar a autoria da decisão, tornar visíveis os sujeitos afetados e aprender a responder pelo caminho escolhido.
Palavras-chave: julgamento ético; inteligência artificial; educação.
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